quarta-feira, dezembro 13, 2006

007 e as marcas eternas como os diamantes


Na próxima sexta-feira, dia 15, chega aos cinemas brasileiros a nova aventura do espião mais conhecido no mundo.

E o que isto tem a ver com marketing? Tudo.

Afinal, a marca 007 é a de maior longevidade da história do cinema. Como Leite Moça (citado aqui no Coffee break outro dia), Ballantine´s, Aston Martin e Coca-Cola, entre outras, a marca 007 esticou a sua fase de maturidade e conseguiu a proeza de conquistar gerações e gerações de espectadores, sendo “consumida” por avôs, pais e filhos de todo o mundo.

Um pouco de história. O agente James Bond foi criado pelo escritor inglês Ian Flemming, em 1953, em plena Guerra Fria, no romance intitulado Casino Royale. Com o sucesso e a boa venda do livro, o personagem teve mais 13 aventuras publicadas até meados dos anos 60.

A marca 007 ganhou visibilidade e o mundo em 1961, quando chegou aos cinemas com 007 contra Dr. No, estrelada por um então obscuro ator escocês, o hoje Sir Sean Connery. Mas foi em 1964, com Goldfinger, que os “gestores da marca” , ou melhor, os produtores da série, Albert Broccoli e Harry Saltzman definiram no cinema a arquitetura da marca 007: ação contínua, vilões megalomaníacos, situações absurdas, locações em vários locais do mundo, carros moderníssimos, “gadgets”, mulheres estonteantes e canções arrebatadoras. Desde então, pouca coisa mudou na fórmula nestes 45 anos.

Obviamente, a marca enfrentou problemas e crises. Quando, em 68, Sean Connery decidiu sair da série, o público rejeitou seu substituto, o australiano George Lazenby, em 007 Serviço Secreto de Sua Majestade.

Em 1975, um dos “gestores da marca” , Saltzman saiu do barco e isso criou problemas de produção que levaram 007 contra o Homem da Pistola de Ouro a ser o pior filme e bilheteria da série.

Nos anos 80 com o fim da URSS, os roteiros que mostravam inimigos da cortina de ferro, ficaram sem sentido. Nesta época ainda, filmes de ação e aventura turbinados e mais inspirados como Máquina Mortífera, Indiana Jones e o Templo da Perdição e Batman atropelaram Bond nas bilheterias. Para piorar, Thimothy Dalton, o quarto Bond, também não agradou as platéias.

A recuperação aconteceu nos anos 90, com a escolha acertada do ator irlandês Pierce Brosnam, para interpretar o agente em Goldeneye. Nesta nova fase, os produtores eliminaram boa parte do humor injetado nos anos de Roger Moore, voltaram a investir em produções caprichadas e aos poucos, trouxeram o personagem para algo mais próximo do que Ian Flemming tinha imaginado.

Em 2002, a gigantesca bilheteria de Um Novo Dia Para Morrer mostrava que os “gestores” tinham tomado as decisões corretas e James Bond voltou a ser relevante para a indústria cinematográfica.

Mas como qualquer gerente de marca, Barbara Broccoli, filha do produtor Albert Broccoli, achou que nem tudo estava correndo tão bem e mandou fazer uma pesquisa de mercado com adolescentes para saber se James Bond tinha futuro. A pesquisa mostou que parte deste público não tinha qualquer identificação com o agente e que era preciso mudar para continuar vivo por muito tempo.

Para ganhar este novo público e reforçar a fidelidade dos antigos fãs da série, ela decidiu voltar às origens literárias do personagem ou a essência da marca, levando às telas o primeiro romance de 007, Cassino Royale. Mandou Brosnam para casa e contratou o quase desconhecido Daniel Graig para o papel e, finalmente, optou por fazer um filme mais realista, como são os livros de Flemming.

Correu riscos, enfrentou protestos dos irados fãs ingleses (o site http://www.graigisnotbond.com/ foi um deles) que rejeitaram o novo ator e a desconfiança da crítica especializada.

Mas como todo filme de 007, tudo acabou bem. O filme está próximo de ser o de maior bilheteria da série, Graig foi considerado um 007 a altura de Connery, a crítica aplaudiu, os jovens foram ao cinema e a marca James Bond continua mais viva e valiosa do que nunca.

sábado, dezembro 09, 2006

Complexo de Super-Homem


João é executivo de marketing de uma grande multinacional na área de bens de consumo, onde trabalha há 8 anos como gerente. Poderia-se dizer que é feliz e plenamente realizado, não fosse um único problema: a culpa.

Inconsciente mas devastadora, sua culpa vem sido armazenada paulatina e sistematicamente conforme segue em sua rotina diária de super-homem, onde precisa ser elegante, esportista, articulado, falar 2 idiomas, conversar sobre futebol e política econômica internacional com a mesma desenvoltura; ler os últimos livros dos gurus empresariais, a biografia do Bill Gates, 2 jornais diários; ter vida social ativa, principalmente nos eventos corporativos e (lest but not least) desempenhar uma atividade comunitária ou “socialmente responsável”. Isto para cumprir a agenda de executivo de sucesso.

Mas não é tudo: ainda tem que ir à reunião de pais da escola; à apresentação de ballet e jogo de futebol dos filhos; brincar com os filhos e fazer o dever de casa com eles; levar a mulher para jantar; visitar a mãe e a sogra; ser romântico e falar coisas bonitas e interessantes com a mulher (sim, porque ninguém agüenta mais conversa de trabalho na sua família).

Maria também é executiva, mas num nível acima de João. É presidente da empresa multinacional. Tem a seu favor, quase nada. Ao contrário, tem que se preocupar duas vezes mais que João para manter sua imagem de executiva impávida, acima do bem e do mal (como quer o mercado), pois para ela a cobrança é exponenciada a 10. Afinal, é mulher! E vocês lembram do lugar da mulher desde menina: brincando de casinha.

Mas Maria não queria brincar de casinha, e contrariando a sua “essência” feminina, teve que aprender a ser competitiva já adulta (pois nunca praticou esportes ou lutou contra os Power Rangers na infância). Ou seja, correndo atrás do tempo perdido, estudou muito mais, se preparou melhor e usou sabiamente suas qualidades adquiridas na infância de princesa (além do inato e óbvio instinto maternal) para saber a hora certa de falar, tratar do outro com maior consideração e “segurar mais pratos” ao mesmo tempo. Afinal, além da rejeição natural que enfrenta na carreira executiva por seus chefes, pares e subordinados, tem que representar um forte papel de mãe, princesa, esposa, e tantas outras qualificações que lhe são impostas e cobradas pelos familiares e pela sociedade.

É claro que vivemos hoje um mundo onde as mulheres desempenham cada vez mais papéis de protagonistas do que de coadjuvantes na maioria das sociedades ocidentais e nas mais diversas áreas (política, empresarial, social). Porém, os arquétipos de homem e mulher continuam os mesmos de 50 anos atrás. Apenas nos tornamos mais “receptivos” a aceitar os novos papéis, mas com a mesma intensidade nos impusemos a responsabilidade de cumprir com todos eles ao mesmo tempo. Pior, na maioria das vezes acreditamos que seremos capazes.

A vida é feita de escolhas. Não importa se boa ou ruim, devemos viver bem com elas. Mas é fundamental ter a certeza de que qualquer que seja, nos trará conseqüências. Ter consciência disso é decisivo para evitar que o "complexo de super-homem"
vire uma doença crônica, um enfarto, ou relacionamentos desfeitos (conjugais, familiares, fraternais). Como diz Bono Vox : “sometimes you can´t make it on your own”. É óbvio, mas não praticamos. Afinal, temos sempre a sensação de que conseguiremos fazer tudo; sempre.

Seja franco com você mesmo, com sua família, seu chefe, seu cachorro. O que importa é ter a mesma determinação empresarial na sua vida pessoal. Assuma que não vai ler tudo e que só se importará com as informações absolutamente necessárias. Vista a máscara de super-homem junto a seus pares executivos, mas tenha consciência que isto é apenas um estereótipo necessário (pois é isto que esperam). Não acredite que você realmente tem este poder. Estabeleça metas pessoais. Faça um plano pessoal e divida com a sua família. Deixe que eles entendam onde estão, qual o seu papel e de que forma será a sua participação com eles.

Vai doer no começo, mas garanto que o seu sofrimento será muito menor do que as Kriptonitas que você enfrenta diariamente...

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Em busca do Ouro


Um bom termômetro dos temas que afligem os executivos brasileiros é a lista dos livros mais vendidos nas áreas de economia e negócios.

Aí vai a lista dos 5 campeões desta semana, divulgada pelo Valor Econômico:

1- Monge e o Executivo

"Romance" empresarial. Um executivo tem crise existencial e parte para um retiro onde há um monge budista que foi empresário de sucesso. Ele prega que a verdadeira liderança é a autoridade conquistada com amor, de dedicação e sacrifício. De longe o maior "hit" do ano na área. Faz tanto sucesso que o autor James Hunter volta e meia está aqui no Brasil fazendo palestras.

2- Transformando Suor em Ouro

Liderança de novo. O técnico Bernardinho fala de seus métodos para vencer sempre. As vendas foram catapultadas pelo último título mundial de vôlei conquistado na semana passada. Já o livro sobre gestão de equipes do Parreira....

3- Casais inteligentes enriquecem juntos

Outro tema em voga. Auto-ajuda de economia doméstica turbinada por estratégia financeira para casais. Na linha de Pai Rico, Pai pobre.

4- Como se Tornar um Líder Servidor

E para variar, liderança outra vez... Este livro é o Monge e o Executivo II, a Missão. Daqui a pouco vem o três. Virou franquia.

5- O Mundo é Plano

Está difícil de acompanhar a velocidade dos acontecimentos de hoje? Este é um livro para entender este conturbado e surpreendente início de século XXI e as suas consequências. Economia, terrorismo e globalização na pauta, em linguagem acessível e jornalística. Na linha de Freakonomics.

Completam a lista, um livro sobre investimentos (Mercado de Capitais), biografia dos primeiros magnatas americanos (Os Magnatas), uma auto-ajuda sobre dinheiro (Os segredos da Mente Milionária), como equilibriar trabalho e família (Pai e Executivo) e, de certa forma, liderança de novo, mas vista por um bem-sucedido executivo brasileiro (Você está louco, de Ricardo Semler).

Em breves palavras: nossos executivos só querem ser líderes exemplares, cuidar melhor do seu capital, dar mais tempo às suas famílias e, de quebra, entenderem para onde o mundo e os negócios vão. Tarefa para super-homens.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Essa Moça tá diferente. Mas nem tanto.



Leite Moça é um dos produtos no Brasil que desafia o chamado ciclo de vida dos produtos, aquela teoria que diz que todo produto nasce, cresce, atinge a maturidade, entra em declínio e morre.

O produto está no mercado há décadas e continua firme e forte.

Mas nada acontece por acaso.

A Nestlé sempre teve muito cuidado com a sua marca e uma estratégia que combina inovação com respeito aos seus valores e à sua essência. Quais inovações? A lata em novo formato, o tubinho tipo pasta de dentes, as extensões de linha Fiesta, light, as co-brands (s0rvetes, chocolates).

Pois bem, hoje fazendo uma ronda num supermercado, encontramos mais uma ação de marketing que mostra porque Leite Moça é Leite Moça: um "pack" especial com 3 latinhas e uma boneca, que é a moça do rótulo do tamanho de uma Barbie. Tudo por R$ 12,90.

Obviamente a Nestlé não quer entrar no ramo de brinquedos. O que ela procura com
este tipo de ação é ganhar mais visibilidade e espaço nas lojas, oferecer uma alternativa diferente ao trade (cliente), reforçar a imagem e os valores da marca e, claro, vender mais.

Muito bom.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Primeiras vendas Do Bem



Só voltamos ao assunto do último post para dizer que Do Bem já está nas gôndolas do Zona Sul (supermercado do Rio de Janeiro), desde o último sábado (foto ao lado).

Segundo o Marcos, pai da criança, vendendo saudavelmente e já gerando repercussão entre a galera que gostas de coisas naturais.

Aproveitamos para deixar aqui o site deles que é muito legal:

www.dobem.com

Além das informações sobre o produto, você vai encontrar um blog com o dia-a-dia da empresa.